REFLEXÕES

                                              
Ele virá,
Quem nasceu para sempre, pra sempre virá
É uma eterna semente solta pelo ar
Fecundando de felicidade por onde for

E assim será,
Ninguém vive feliz se não puder falar
A palavra mais linda é a que faz cantar  
Todo samba no fundo é um canto de amor

Paulinho da Viola - Peregrino



Vivemos imersos em um tempo das comunicações, do acesso ao oceano de informações. Tudo parece estar ao alcance de um "clic" ou de um soletrar de palavras lançadas ao sopro dos buscadores digitais. Estes se tornaram espécies de oráculos a quem recorremos cotidianamente.





Porém, como nosso querido amigo Darko Magalhães colocou em nosso primeiro encontro do Núcleo de Samba Cupinzeiro na Cidade de São Carlos, diante desse universo de possibilidades acabamos nos comportando como meros consumidores de informação, de conteúdos que se tornam descartáveis e difusos.

Quando pensamos em música, acessamos e baixamos milhares de títulos, albuns, CD`s, vídeos e guardamos em nossas memórias digitais. O quanto ouvimos de tudo isso? Nessa ansiedade própria do consumidor voraz diante do desejo de aumentar seu arquivo pessoal, passamos o tempo buscando cada vez mais.

Diante disso a Roda de Samba me faz respirar, dá lugar a palavra que deixa marcas na memória. Estar junto com as pessoas pra cantar nos remete a um outro tempo, ao tempo ritualístico, a um tempo circular em que passado presente e futuro se encontram e fazem parte do que chamamos de manifestação cultural. A roda é o território da expressão e da liberdade, do cantar coletivo, lugar em que a memória e a relação com o passado histórico são fundamentais para que nos situemos no presente e possamos reconstruir a história como personagens dela, como agentes ativos de seu processo dinâmico.

Nesse contexto em que nos encontramos, diante desse oceano de informações, estar inserido em um processo de construção cultural como o que temos feito durante os dez anos de Cupinzeiro equivale a construir a bússola capaz dar sentido a nossas ações no mundo e com ele.

A Roda como ação cultural coletiva nos mostra que devemos buscar sim o que está disponível no mar aberto das informações, mas que possamos trazer gravados na mente e no coração aquilo que encontramos no caminho. E que assim possamos cantar, compartilhar e construir uma cultura reflexiva e não meramente reflexa.

Edu de Maria

2 comentários:

  1. A roda de samba foi um momento muito agradável, em que pudemos interagir sem haver distanciamento entre artistas e público, uma aproximação possibilitada pela própria disposição dos músicos e do local preparado para os que iriam prestigiar a roda.
    Certamente, esta manifestação nos traz de volta o calor humano e uma nova relação com a canção, a qual podemos memorizar (ao menos em parte!) e cantar com os demais, realizando um ato que há muito tem sido deixado de lado por esta sociedade de consumo desenfreado e que cada vez mais tira das pessoas o tempo para a convivência com o outro e a celebração de momentos por meio de algo que é um bem para a alma: a música.

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  2. Olá Kesya,

    É muito bom saber de sua percepção e envolvimento com a roda!

    Espero que possamos estar juntos nos próximos encontros e continuarmos refletindo sobre essa possibilidade de compartilhar e experienciar a cultural!

    Abraços!

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... o samba não é uma coisa só !